sexta-feira, 3 de julho de 2009

Vida e morte



Aqui estou, soldado vindo de uma guerra distante, ando devagar, minha consciência está pesada e faz com que eu perca todo o esplendor da marcha, o cansaço constante me faz lembrar que sou humano, ando devagar, a lentidão me consome e o sol queima minha pele, o sangue inimigo no meu manto é lavado pelo suor que transborda do meu corpo, a puera entra pela minha boca e preenche todo o meu pulmão, ando devagar, minha mente me indaga, ir pra onde? fazer o que? Qual a direção? Algum propósito?
Permaneço caminhante, adiante, fazendo da estrada minha bússola, o caminho é mortificante, mas quem sou eu para reclamar da morte iminente? Tirei tantas vidas, fiz da minha espada um ponteiro de relogio que marcou com exatidão a morte de meus inimigos, espada que outrora tanto me protegeu, agora é um fardo, seu peso aumenta a cada passo, penso em abandona-la, mas a crença me impede, sou um guerreiro e não posso morrer sem minha espada, ando devagar, de repente paro de caminhar, e sinto todas as minhas dores e fraquezas sumirem, o cansaço se foi e a puera já não me incomoda, de repente olho para trás e la longe vejo um corpo estendido no chão, segurando um objeto metalico, fixoo meu olhar e mal posso acreditar no que vejo, sou eu e minhas espada, ambos mortos, guerreiro sem vida e espada sem guerreiro, triste fim.

Um comentário:

Vinícius Rodovalho disse...

E quanto desse guerreiro pode haver em nós, não é mesmo? A busca por propósitos, a crença irrevogável de que o temos, a dúvida remota de que talvez não o tenhamos...

A imagem da espada também é intrigante. O que antes foi um instrumento indispensável de aniquilação, passa a ser um estorvo. Uma deonstração de que o tempo passa e deixa marcas profundas. Ou de que aprendemos a olhar de novo, com mais ou menos atenção.

No final, o que é mais presente: o alívio para as dores, ou a consciência do fim? Como uma moeda de dois lados, pode-se contar com a sorte ou simplesmente escolher qual dos dois lado exibir, frustrado ou triunfante.

Belo conto! :)